Skip to content
22 de outubro de 2008 / lussantiago

AMAMENTAÇÃO E DROGAS

USO DE DROGAS (ILÍCITO-LÍCITAS) DURANTE A GESTAÇÃO/AMAMENTAÇÃO

 

Generalidades:

    • 85% das mulheres usuárias de drogas estão na idade fértil (entre 15 e 40 anos); dessas, 30% são consumidoras antes dos 20 anos.
    • Cerca de 3% das usuárias de drogas continuam utilizando-as durante a gestação.
    • Nos Estados Unidos, 1 em cada 27 nascimentos, o bebê é filho de mãe drogadicta.
    • Além disso, o índice de depressão vem aumentando na vida moderna (a depressão acomete 10-25% das mulheres), levando ao uso de medicamentos antidepressivos.
    • Maconha é a droga mais utilizada.
    • Cocaína e crack: seu uso tem aumentado em proporções epidêmicas.
    • O número de usuárias de drogas está aumentando entre as mulheres e elas não reduzem o consumo até que a gravidez seja confirmada (até 8 semanas após concepção). Nessa idade o feto já foi afetado (risco de toxicidade à criança em desenvolvimento).

 

Síndrome de abstinência (reação do organismo à ausência da droga) – sua incidência ocorre em 83 a 91% dos recém-nascidos de mães usuárias de drogas.

 

  • As drogas que causam síndrome de abstinência são as seguintes:

§   Opiáceos: codeína, heroína, meperidina, metadona, morfina, pentazocina e tripelenamina;

§   Barbitúricos: fenobarbital, secobarbital;

§   Miscelâneas: álcool, cocaína ou crack, clordiazepóxido, desmetilimipramina, diazepam, difenidramina, glutetimidina, hidroxizina, fenciclidina, propoxifeno.

 

Problemas que o bebê pode apresentar:

  • Ao nascer: prematuridade, baixo peso, desnutrição, microcefalia, anóxia neonatal, icterícia, pneumonia aspirativa, aspiração mecônio, persistência circulação fetal, taquipnéia, doença de membrana hialina, malformação congênita, infecção, trombocitose, alterações da audição, do comportamento, do sono, dos batimentos cardíacos e da respiração.
  • Após o nascimento: síndrome da morte súbita, abuso, microcefalia, hiperatividade, impulsividade, problemas escolares, etc.
  • Síndrome de abstinência: hipereatividade, choro excessivo, irritabilidade, hipertonia muscular, reflexos exagerados, tremores, sono leve, espirros, febre, taquipnéia, excesso secreção pulmonar, sucção débil, vômitos, hiperfagia, diarréia, alteração perfusão periférica, sudorese, palidez, abrasões, escoriações, arranhaduras face.

 

Sintomatologia:

§   Sistema Nervoso Central: tremores, irritabilidade, choro estridente, alerta, aumento do tônus muscular, reflexo de Moro exacerbado, convulsão;

§   Aparelho Digestivo: anorexia, dificuldade de sucção, vômitos, diarréia, perda de peso;

§   Sistema Nervoso Periférico: sudorese excessiva, febre, obstrução nasal, mosqueamento cutâneo, instabilidade térmica.

 

DROGAS E POSSÍVEIS EFEITOS:

o   Narcóticos (=opióides, semelhantes à morfina):

§   São: morfina, codeína, heroína, metadona, propoxifeno, pentazocina, meperidina, oxicodona, morfinona e fentanila.

§   Resultam em alterações psicológicas e dependência física da droga.

§   Todos os narcóticos atravessam a placenta e entram na circulação fetal. Portanto, o feto apresenta problemas intra-útero e após o nascimento.

o   Não narcóticos (síndrome semelhante aos narcóticos):

    **Barbitúricos: hiperfagia e convulsões mais freqüentes.

      **Fluoxetina, paroxetina, sertralina, citrlopram e fluvoxamina: desconforto respiratório e agitação alternada com letargia.

      **Cocaína: parto prematuro, desnutrição, deformidades esqueléticas, hidrocefalia, etc.

      **Diazepínicos: tremores, irritabilidade, hipertonia, sucção exacerbada, vômitos e diarréia.

      **Maconha: tremores finos e alterações no ritmo do sono, possibilidade de alterações da memória e cognição na idade escolar.

      **Anfetaminas: prematuridade, desnutrição intra-uterina e microcefalia, hemorragias retro-placentárias, insônia, anorexia, tremores, hipertonia, irritabilidade; após o crescimento: comportamento agressivo e coeficiente de inteligência aquém do esperado.

      **Cafeína: se mãe usa mais de sete xícaras de café por dia pode causar: diminuição do peso do recém-nascido, irritabilidade, tremores e vômitos.

      **Fenciclidina: aumenta incidência de prematuridade, líquido meconial, irritabilidade, tremores, hipertonia e movimento circular dos olhos.

      **Tabaco: abortamento, descolamento de placenta, calcificações placentárias, prematuridade, Apgar baixo, morte fetal e morte neonatal, síndrome de morte súbita do lactente, baixo peso ao nascer, efeitos neurotóxicos: sucção ruim, chora mais que o normal, menor alerta visual, tremores, alterações cognitivas, psicomotoras e na linguagem.

      **Álcool: leva síndrome alcoólica fetal (SAF), com distúrbios do aprendizado e outras alterações menores. Pode levar ao abortamento, malformações importantes e retardamento mental em diversos graus, recém-nascido pode ser de baixo peso, apresentar microcefalia, nascer com fissura palatina, alterações articulares e defeitos cardíacos.

 

Conduta:

  • Médica: tratamento inicial da abstinência no recém-nascido visando controlar as complicações perinatais associadas ao uso de drogas pela mãe (asfixia, prematuridade, aspiração de mecônio, malformação congênita, etc.).
  • Investigação laboratorial: Hepatite B, Hepatite C e HIV .
  • Não separar a mãe do filho.
  • Encorajar o aleitamento materno (a amamentação está associada a uma menor gravidade da síndrome de abstinência neonatal). Evitar o aleitamento materno somente se houver contra-indicação formal (mãe HIV positiva, por exemplo).
  • A alimentação deve ser em pequenos volumes e mais amiúde.
  • O bebê deve ser examinado com freqüência para detectar sinais de abstinência.
  • Observar sono, temperatura, evacuação, diurese, ganho ponderal e grau de hidratação.
  • Colocar o recém-nascido em lugar com pouca luz, pouco ou sem barulho, mantê-lo envolvido com cueiro (enrolado), manuseá-lo o mínimo possível e controlar a sucção.
  • Casos em que se usa medicação: convulsões, diarréia, vômitos, desidratação, perda excessiva de peso, febre, insônia.
  • O recém-nascido deve ser observado por 5-7dias após a suspensão de qualquer medicação. A duração do tratamento é variável, dependendo do grau de adição e do tipo de droga usada.
  • A família deve ter suporte clínico, psicológico e social.
  • O recém-nascido deve permanecer no hospital por cinco dias, no mínimo.

 

Fonte:

  1. Programa de Atualização em Neonatologia (PRORN) / ORGANIZADO PELA Sociedade Brasileira de Pediatria. – Porto Alegre: Artmed/Panamericana Editora, 2004. Ciclo 4, Módulo 4.

Contato: lussantiago@hotmail.com

 

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: