Skip to content
25 de julho de 2009 / lussantiago

Humanização em UTI neonatal

HUMANIZAÇÃO
DA UTI NEONATAL

 

            Um
cuidado mais humano e individualizado com os RN deve ser assumido. Pois, esse
ambiente tecnicista, sem calor humano e cheio de máquinas é um ambiente gerador
de estresse. Esse estresse não somente atinge os profissionais de saúde, como
também os recém-nascidos.

            Devido
a esse ambiente estressante, o erro médico e da equipe de enfermagem é muito
freqüente. Muito mais do que realmente gostaríamos. A probabilidade de erro com
drogas, durante uma internação hospitalar (com grave repercussão para o
paciente) é muito maior do que a chance de uma bagagem se extraviar no
aeroporto. A chance de morrer no Hospital (erro com drogas) é muito maior que:

­  Acidente automobilístico
(125/dia)

­  Acidente de avião (0,27/1
000 decolagens)

Deve-se prevenir e atenuar
todos os fatores geradores de estresse, racionalizar a manipulação do paciente,
de tal modo que, os cuidados necessários sejam oferecidos, mas que se preserve
períodos livres para o sono.

As condições ambientais
afetam o estado fisiológico e neuro-comportamental do bebê. É necessário
remover um ambiente adequado, familiarizando-o e diminuindo a quantidade e
intensidade de estímulos excessivos de ruído e 
de luz. Deve-se tornar esse ambiente menos assustador e mais agradável.
Por exemplo, decorar o ambiente e providenciar alguns brinquedos laváveis e sem
risco para o bebê. Deve-se colocar o nome do bebê na incubadora.

O ambiente humanizado
favorece a estimulação visual do bebê, desenvolvendo a maturação neurológica e
psíquica, prevenindo atrasos no desenvolvimento psicomotor e social.

 

Repercussão do estresse na Uti neonatal para o RN

 

Excesso de barulho:

            A Associação Americana de Pediatria recomenda: 55 dB (decibéis) durante
o dia e 35 dB durante a  noite. Ruídos
acima de 45 dB dentro das incubadoras devem ser considerados como preocupantes.
Acima de 120 decibéis,  a sensação
acústica chega a ser dolorosa.

Nossa UTI é muito
barulhenta: rádio, conversa, risos, telefone, passos, monitor cardíaco,
ventiladores mecânicos, oxímetro, alarmes, banhos, aspiradores, mudança de
decúbito, limpeza, etc. Os níveis de ruído em UTI giram em torno de 50-88 dB (=
ruído do motor de um ônibus). Ruídos entre 70 – 80 dB são capazes de casar
alterações fisiológicas: apnéia, bradicardia, desaturação, hipertensão, aumento
do fluxo sangüíneo cerebral, taquicardia, etc. Causam também alterações
psicológicas: irritabilidade, alterações do sono, fadiga, isolamento, estresse,
alteração da função intelectual, etc.

O ruído na UTI pode lesar
estruturas do aparelho auditivo e até causar surdez (efeito potencializado por
drogas ototóxicas como gentamicina, amicacina e furosemida).

O conceito de que a
incubadora protege o RN do barulho é errado. Veja abaixo:

 

Exemplos de intensidade de
ruídos

Intensidade

Exemplo

Ruídos dentro da
incubadora

60

Conversa normal

Funcionando

75

Aspirador de pó

Borbulhar da tubagem do VM

85

Trânsito intenso/telefone

Bater com dedos

90

Motor de ônibus

Fechar gaveta

100

Britadeira

Fechar portinhola

130

Avião a jato a 30m de altura

Queda da bandeja

Outras fontes de
ruído

Fonte

Intensidade (dB)

Respirador

65

Oxímetro

70

Aspiração

80

Pacote luva

86

 

Pequenas mudanças de hábitos
que podem diminuir a poluição sonora para o RN, diminuindo seu estresse e o
tempo de suporte ventilatório:

Þ      
Diminuir o número de vezes em que se abre e fecha as portinholas das
incubadoras.

Þ      
Não colocar objetos em cima das incubadoras;

Þ      
Não bater nas mesmas (dedos, mãos, etc.);

Þ      
Fechar e abrir portinholas com extremo cuidado;

Þ      
Cobrir paredes e teto da incubadora com pano isolante;

Þ      
Falar baixo (se precisar falar com alguém, dirigir-se até onde está a
pessoa);

Þ      
Se possível, usar o aspirador de parede ao invés daquele de motor;

Þ      
Atender prontamente os alarmes e ao telefone;

Þ      
Retirar rádio, telefone e TV da área de cuidado aos bebês;

Þ      
Evitar autofalante no teto;

Þ      
Usar calçados de sola mole;

Þ      
Não arrastar cadeiras nem outros objetos;

Þ      
Ao comprar aparelhos para UTI, levar em conta a intensidade sonora dos
mesmos, etc.

 

Intensidade da luz:

Os RNs são expostos a uma
iluminação excessiva e constante para uma correta observação pelos
profissionais.

O efeito da luminosidade
excessiva no neonato pode causar reações lesivas sobre estruturas óticas,
podendo agravar                                                         
a retinopatia e, ainda, faz com que o RN 
feche os olhos e não consiga avaliar o ambiente e interagir com ele. A
exposição a uma luz contínua desorganiza todo o ritmo circadiano hormonal.

A luz cíclica que é a
diminuição da luz durante a noite, ajuda o bebê a diferenciar o dia da noite,
desenvolvendo o ciclo do sono-vigília. Ele também diminui o batimento cardíaco,
melhora o estado organizacional do bebê, que dorme por mais tempo e favorece o
ganho de peso.

Sempre que possível, cubra
as incubadoras com panos ou cobertores e apague um pouco das luzes.

 

Excesso de manuseio:

Toca-se o RN demais e muitas
das vezes desnecessariamente. A maioria dos procedimentos são dolorosos.

O excesso de manuseio é
causa freqüente de: infecção, hipoxemia, apnéia, hipertensão, aumento da
pressão intracraniana, alteração do fluxo sangüíneo cerebral, etc.

 

“Imagine-se nu, sem defesa,
em um quarto frio, barulhento, cheio de luzes e pessoas. Você está lutando para
respirar e um gigante enfia um tubo em sua boca. Você fica nauseado e quer
vomitar. Você tenta dormir um pouco, mas toda vez que isso acontece, alguém
pensa que você está em coma e te sacode, só para ver se você acorda ou chora…
Se você faz um movimento brusco, eles pensam logo  em convulsão. Freqüentemente vem alguém e te
enfia uma agulha ou te espeta o calcanhar. Enormes mãos frias tocam no seu
corpo e apertam sua barriga. Após alguns dias você está tão exausto que não
consegue nem mais respirar… E você só pensa em dormir… dormir… dormir…”

 

Conclusão:

            A
tecnologia é muito útil. Porém, não é infalível. E, ainda, o cuidado
individualizado do doente sobreviveu a todas as modas e é, de longe, muito
valorizado pelo paciente e seus familiares.

            Às
vezes o sucesso foge das nossas mãos, não por falta de vontade nem recursos,
mas por não canalizar as energias numa única direção.

            Não
é contraditório prescrever dobutamina para diminuir a freqüência cardíaca de um
bebê e, ao mesmo tempo, permitir que o barulho, a dor, a luz, etc, lhe causem
taquicardia? Faz sentido gastar em vancomicina se a pele machucada pelos
esparadrapos está sendo a porta de entrada para o estafilococo?

            A
perfeição do nosso tratamento consiste em primeiro lugar em restabelecer a
saúde dos bebês, mas faremos melhor se for sem agressões, prontamente,
suavemente e permanentemente.

 

Fonte:

             
I.     
Boletim Informativo Pediátrico – Enfoque Perinatal – Ano 21/2001, No.
64 – Secretaria de Estado da Saúde do Distrito Federal – Hospital Regional da
Asa Sul – HRAS

About these ads

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: