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10 de abril de 2010 / lussantiago

FOTOTERAPIA (BANHO DE LUZ)

FOTOTERAPIA

Um dos tratamentos usados para o tratamento de Icterícia do recém-nascido.

MECANISMO DE AÇÃO DA
FOTOTERAPIA

Energia luminosa (luz) penetra na
epiderme e atinge o tecido subcutâneo , transforma a bilirrubina (nas áreas
expostas à luz) em produtos mais hidrossolúveis para serem eliminados pelos
rins ou pelo fígado. Somente a bilirrubina que está
próxima à superfície da pele (até 2mm) será afetada pela luz.

EFICÁCIA DA FOTOTERAPIA

A eficácia da fototerapia depende
de:

·        
Concentração
inicial da bilirrubina antes do tratamento
– quanto maior o nível inicial
de bilirrubina, maior e mais rápida é a queda e o efeito diminui à medida que
diminui o nível de bilirrubina;

·        
Superfície
corporal exposta à luz
– quanto maior a área exposta, maior a eficácia;
portanto, evitar uso de fralda, e usar mais de um foco de luz (fototerapia
dupla ou tripla), nos casos graves. Pode usar superfícies refletoras (espelho
parabólico, filme refletor, folha de alumínio ou tecido branco) ao redor da
fototerapia para aumentar a área exposta (isso aumenta até em 35%). Entretanto,
o uso desse material diminui a visibilidade e aumenta o risco de
sobreaquecimento.

·        
Distância
entre o paciente e a fonte luminosa –
quanto mais próximo o foco de luz,
maior a irradiância e maior o efeito. Na prática, os aparelhos convencionais
devem ficar a 30 cm do paciente. Se usar lâmpadas halógenas, a distância deverá
ser de 50 cm. A aproximação do aparelho pode causar: bloqueio da visão pelo
profissional de saúde, dificuldade de manuseio do RN e hiperaquecimento.

·        
Dose e
irradiância (energia luminosa) emitida
– quanto maior a energia liberada
mais eficaz será a fototerapia. A dose de irradiância mínima seria de
4mw/cm²/nm.  A dose de irradiância é
medida por irradiômetros ou dosímetros. Motivos que impedem irradiância abaixo
do recomendado:

o  
Número insuficiente de lâmpadas no aparelho
(7-8);

o  
Aparelho com lâmpada (s) queimada (s);

o  
Menor intensidade de energia de lâmpadas
fluorescentes nacionais;

o  
Aparelho distante do paciente.

·        
Tipo de
luz utilizada
(a bilirrubina absorve luz visível entre 400-500 nm) -

o  
Luz branca – sua irradiância é baixa; daí a
necessidade de se equipar os aparelhos de fototerapia com número adequado de
lâmpadas (7-8) e as lâmpadas devem ser trocadas após 200-2 000 horas de uso;

o  
Luz azul – é a mais eficaz; essa produz queda
mais rápida e acentuada dos níveis séricos de bilirrubinas; porém, deixa o RN
com aspecto de cianosado e causa tonteiras, náuseas e vômitos à equipe.

o  
Luz verde – sem diferença de eficácia em
comparação à azul. Podem causar eritema no RN, além de náuseas e tonteiras no
pessoal da saúde.

o  
Luz com emissão de iodo – são lâmpadas
extremamente pequenas (5mm) agrupadas em placas contendo 100, 200 ou 300 unidades.
Essas placas ficam em contato direto com o RN ou a distâncias variáveis.

       
Obs.:
o uso de incubadora umidificada pode gerar alta concentração de vapor d’água
que interfere na eficácia da fototerapia, por condensar a parede da incubadora,
reduzindo a eficácia em até 30%.

TIPOS DE FOTOTERAPIA

1.       
Convencional
(geralmente com 6-7 lâmpadas
fluorescentes tipo daylight, 20
watts, a 30-35 cm do paciente)

** Proteção
ocular.

** Vantagens:
baixo custo, grande área exposta à luz, pode ficar próxima ao paciente.

** Desvantagens:
espectro de luz muito amplo (380-770 nm; ideal: 400-500), baixa irradiância
(mínimo: 4 microW/cm³/nm); lâmpada nacional 25% menos eficaz que as
internacionais.

** Para melhorar
sua eficácia:

o  
Posicionar o aparelho a 30cm do paciente;

o  
Manter superfície da incubadora e a proteção da
fototerapia limpos;

o  
Verificar se todas as lâmpadas estão acesas;

o  
Usar 7-8 lâmpadas no aparelho;

o  
Substituir 2 lâmpadas brancas por azuis,
posicionando-as no centro;

o  
Verificar periodicamente a irradiância ao nível
da pele;

o  
RN nu ou com mínimo de fralda, aumentando superfície
exposta à luz;

o  
Manter dieta enteral (oral ou SOG) sempre que
possível (aumenta motilidade intestinal e diminui a circulação
êntero-hepática).

2.      
Equipada
com luz halógena
: o foco de luz tem diâmetro aproximado de 20 cm, quando a
50 cm do paciente. Indicada a RN com peso menor que 2 500g. Se mais que 2,5Kg,
usar 2 aparelhos de tal modo que os halos luminosos se tangenciem. Aparelho
deve ficar a 40-50 cm do RN, pois pode provocar hiperaquecimento e queimaduras.
Vida média das lâmpadas: 500 – 800 h; trocá-las quando irradiância < 10
mW/cm3/nm.

** Desvantagens:
distribuição de energia irradiante não uniforme; geração de calor, pequena
superfície corporal exposta à luz (máximo 20 cm), só RN < 2.500g.

3.      
Biliblanket®:
fototerapia de contato, na qual o RN deita em cima de um colchão luminoso,
usando uma lâmpada halógena especial de luz azul. O aparelho possui um filtro
que permite apenas a passagem de luz na faixa entre 400-500 nm. A eficácia é prejudicada
pela pequena superfície corporal exposta à luz e pela mobilidade do RN. Não
colocar nenhum pano entre colchão luminoso e pele do RN.

4.      
Fototerapia
de alta intensidade (Biliberço®)
: 16 lâmpadas fluorescentes “special blue”
dispostas em um cilindro, colocadas em volta do paciente, cerca de 15 cm de seu
corpo. Permite redução de cerca de 70% nos níveis séricos de bilirrubina nas
primeiras seis horas de tratamento. Para conforto do RN usa-se um colchão de silicone
medicinal transparente. O calor produzido é dissipado por um sistema de
ventiladores e exaustores. Indicado para níveis de BT > 20 mg%, reduzindo
consideravelmente a incidência de exanguineotransfusão. Ainda não disponível no
mercado.

5.       Diodos emissores de luz (LED): cerca de
100 – 300 lâmpadas são agrupadas em placas que podem ser posicionadas
diretamente em contato com o paciente ou a distâncias variadas. Têm meia-vida
bem maior (até 50.000 horas).

** Vantagens:
ausência de irradiações ultravioleta e infravermelha; espectro de irradiação na
faixa de 400-500 nm; meia-vida longa; maior durabilidade; menor tamanho; menor
consumo de energia; praticamente não gera calor; alta irradiância.

** Desvantagens: custo
relativamente alto e, com a mobilidade, RN pode sári do foco luminoso.

EFEITOS ADVERSOS RELACIONADOS À FOTOTERAPIA:

1.      
Em curto prazo:

×         
Aumento a perda insensível de água;

×         
Desidratação;

×         
Instabilidade térmica;

×         
Hiperaquecimento;

×         
Hipermotilidade intestinal;

×         
Diarréia;

×         
Síndrome do bebê bronzeado;

×         
Erupções bolhosas ou, raramente, purpúricas;

×         
Rash
eritematoso;

×         
Dificuldade de manuseio do RN.

2.      
Fototerapia intensa: fator de risco para o
desenvolvimento de nevos.

3.      
Associada a:

×         
Diabetes tipo 1;

×         
Asma;

×         
Alterações de débito cardíaco;

×         
Alterações na velocidade do fluxo sanguíneo
cerebral;

×         
Alterações na excreção renal de cálcio;

×         
Alterações na resistência vascular renal;

×         
Maior risco de leucemia mielóide.

4.      
Áreas de incerteza:

×         
Aumento do risco para broncodisplasia pulmonar; retinopatia
da prematuridade.

INDICAÇÃO DE FOTOTERAPIA

Depende de:

o  
Tipo de icterícia (hemolítica ou não);

o  
Nível sérico de bilirrubina;

o  
Idade gestacional (termo ou pré-termo);

o  
Peso do RN;

o  
Dose da irradiância;

o  
Aleitamento materno;

o  
Condição clínica do RN (fatores de risco):
deficiência de G6PD, asfixia, letargia, instabilidade térmica, sepse, acidose
ou hipoalbuminemia.

TABELAS:

NÍVEIS SÉRICOS DE BB (TOTAL) INDICATIVOS
DE FOTOTERAPIA EM RN PREMATURO

PESO AO NASCER (KG)

BILIRRUBINA TOTAL
(MG%)

< 1,0

5

1,0 a 1,2

6

1,2 a 1,4

7

1,4 a 1,6

8

1,6 a 1,8

10

1,8 a 2,2

12

2,2 a 2,5

12 – 15

> 2,5

> 15

Se acidose,
asfixia, sepse, etc., esses níveis devem ser reduzidos.

 

ICTERÍCIA EM RN SAUDÁVEL, TERMO, SEM
HEMÓLISE (mg%)

IDADE

CONSIDERE FOTO

INICIE FOTO

EXANGUINEOTRANSFUSÃO

< ou igual 24h

 

 

 

25 – 48 h

12

15

> ou = 20

49 – 72 h

15

18

> 25

> 72 h

17

20

> 25

 

Fonte:

1.       
PRORN
– Ciclo 1, Módulo 1 – Otimização do Uso da Fototerapia no Período Neonatal;
Manoel de Carvalho.

2.       
PRORN
– Ciclo 6, Módulo 1 – Novos Recursos da Fototerapia e suas Indicações; Manoel
de Carvalho.

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One Comment

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  1. nelma pereira / mar 10 2014 2:28

    tirei muitas das minhas duvidas . trabalho no hospital da minha cidade e amo minha profissao.

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